Entender é parede; procure ser árvore.

Tenho sentido uma enorme e discretíssima felicidade apenas por acordar cedo (acordar já é vitória; cedo, vitória dupla), fazer café, fumar um cigarro, abrir janelas, arrumar a cama. Depois, tomar um mate e ler o jornal, então, é o paraíso.

Paraíso por dentro, descontadas as notícias cada vez mais e mais medonhas.

Mas sempre, uma consciência da ilusão dessa loucura externa. Quando a gente “enlouquece” o problema é a leitura simbólica que se passa a fazer de absolutamente tudo.

Um fósforo que não acende pode assumir a importância do fogo de Prometeu. Literalmente. Não que tudo não seja mesmo assim, só que a gente também não suporta ficar tão mítico-antropofísico-arquetípico assim. É mais simples, é mais embaixo — é tudo ilusão.

Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez.

Um limite insuportável.

Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante – então você “pira”.

Para não ter que lidar com o horror. ‘O horror de constatar que ninguém tá entendendo nada.’

CFA

Cidade dos sonhos, 2001. David Lynch

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