Abraços partidos.

 
 

 

“E o farol da ilha procura agora por outros olhos e armadilhas.”

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

Clarice Lispector

Estava se sublimando na sensação de um vazio tão sem propósito e abissal que assombraria quem pudesse ver por detrás daquela paz azul que irradiava a harmonia dos seus olhares.

Bem, já que acabou, assim doce assim desesperador, foi dormir antes de tentar mais uma vez se arriscar a sair de casa e deparar se com as pessoas e seus sorrisos mal estampados e corações machucados.

Mas riscos sempre vêm a tona. E ali, ao meio de tanta gente inquieta e sedenta, seus olhos avistaram aqueles outros pequeninos e dengosos, escondidos juntos ao seu dono acompanhando um sorriso assim, bonito e sem graça, triste e perdido.

As fantasias daquele menino, ela desconhecia. Perdeu o momento em que pra ele, tinha se tornado num encanto de moça que gostava de Guimarães Rosa. Na tentativa de aproximação, percebeu que ele já estava perto demais. Aquele menino já sabia das suas vidas debaixo do sol. O que ainda não conhecia, ele tentava desvendar com seus sorrisos lânguidos, olhos doces e perguntas efusivas. Ah! os gostares…

Num susto, perderam o tempo, se perderam entre braços, entre a neblina da noite. Entre as palavras ditas, sem promessas, sem medos.

Mas os passados inglórios, tão inacabados pertubavam demais aquela moça. Ela só queria sair dali, o menino não queria deixar. O que ele ia fazer? Enganava o seu sono com mentiras infantis pra estender o espaço ali com ela, sentindo que a moça já se deslizava pra longe dele. Sentia sua alma a flutuar do corpo, a indolência que lhe deixava o efeito do baseado indo-se.

Viu ela se afastar, com a irresponsável promessa de que não lhe deixaria a vida sem diversas cores. Ele ainda não havia percebido o gosto imenso dela por metáforas, como num sonho de Dalí.

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