Ne me quitte pas

Era uma noite quente, assim como uma noite de carnaval.  O vento frio que lambia os cabelos, lembrava as noites de junho. A sede de descobrir o que havia por detrás da pacata cidade confirmava o dezembro. As três se embriagaram de endorfina, riso solto e quedaram por ali, onde já haviam vivido tantas coisas, a rememorar os passados ainda tão presentes. A falar das pernas que passavam. Das lágrimas que rolaram. Do rio que já havia secado. Já não tinham mais os mesmos olhos, o tato sentia diferente, as risadas eram mais sintéticas, as felicidades mais sofridas. As travessuras nem eram mais tão inconsequentes assim. Mas estavam de novo juntas. Não sabiam por quantas horas, então por que ficariam sentadas ali? Percebiam que já não tinham muita coisa em comum. Perceberam que talvez nunca tivessem tido. Perceberam que se mantiam unidas por mais aquela noite por um desejo insano de vagar, divagar sem rumo, perder as estribeiras até descobrirem que não havia mais chegada, era só o caminho que importava.

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