Porto solidão

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“Eu não me espanto com a Terra sendo a estrela de alguém.”

Eu já escuto seus sinais. Eu já sinto o seu cheiro se aproximando de mim. Não, não! Não venha rápido. Venha assim, nessa sua languidez altiva de quem sabe me levar no jeito, jogando em cima de mim seus olhos lascivos e meigos. Me desvendando em cada sorriso.  Me invadindo sem escrupúlos.

Chegue mansamente feroz. E descubra meus pensamentos a cada toque seu. Fale, como sempre, cuidadosamente,o que possa me ferir e sorria sem graça acariciando os traços do meu rosto, me beijando os olhos enquanto desdiz tudo que disse com alegorias tão coloridas que nem percebe.

Venha sem pressa. Bata na porta com a aflição de quem chegou querendo ficar, mas sabendo a bagunça que seria sua demora. Me conte com tem sido seus dias como quem tenta disfarçar a falta de intimidade. Me intimida mostrando que é o senhor de todos os meus gestos. Me toque demonstrando quão intímo é do meu corpo.

De uma calada maneira, chegue assim sorrindo como se fosse a primavera e eu morrendo. Murmure no escuro tudo que é tão difícil dizer. Aperte os olhos enquanto cautelosamente sente meus sussurros. Respire nos meus cabelos. Transcenda a cada passado lembrado. Me toma feito um viciado. 

Me deixe. Queimando por dentro. Com todos os tremores me vindo agitar. Acordando atribulada enquanto dorme sereno sonhando com as maçãs.

Mas, meu amor, não se atrase na volta não.

 

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