Tempos passados

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Ela riu quando eu disse que era a pessoa mais justa e sensata que eu conhecia.

E em meio à loucura das fumaças suspirou que parecia que o sol amanhecia dentro dela quando  a manhã inundava o seu quarto.

Parecia  feliz. E parecia sensata. Mesmo com todas as intempéries que atacavam a sua vida tão pacata na maior parte do tempo.

Sorria. Saía. Bebia. Fumava.  Queria parecer forte. Queria deixar que a chuva de sapos limpasse sua vida e alma, que o perdão chegasse logo.

Não sentia mais raiva. Não sentia mais amor. Não sentia mais compaixão. Mal sentia dor..  Sentia – se vazia. Só queria que aquilo que sentia e que não era nada, passasse logo. A angústia de não sentir nada de realmente intenso a consumia cruel e lentamente.

Os dias passavam – se sem ela lhes dar nenhuma importância. Seus olhos rasos, marejados onde morava toda uma tristeza sustentavam um olhar distante e vazio. Era possível enxergar o nada do abismo, quando procurávamos aquele doce olhar de outrora. E mesmo assim, julgamo-na feliz.

Não percebi que ela lutava contra desamores enquanto sorria pra mim.

Disse a ela pra não usar mais o velho vestido que atraía afetos desafetuosos.

Mas um dia, quando tudo parecia mesmo ter acabado, quando seu olhar já era de novo doce, alegre e festivo, ela botou o vestido de luto.

Ele atraiu seu mais intenso afeto desafetuoso e sua  vida voltou a circundar a beira do abismo. 

E então o sol se pôs atrás da porta.

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